Apresentação

Partimos do pressuposto existencialista segundo o qual “o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e só depois se define” (SARTRE). Assim, não acreditamos num sentido para a vida dado à priori, mas na construção desse sentido a partir das escolhas que fazemos ao longo da existência. Essa construção, no entanto, é realizada a partir de um mundo social. Como esse mundo social nos antecede, somos levados a crer que ele é algo fixo e imutável e a escolher de acordo com os valores e padrões já estabelecidos, como se nada pudesse ser mudado.

A proposta do Movimento Cultural Algaravia é “desnaturalizar” o mundo social a fim de que outros sentidos para a vida (além dos construídos pelo sistema de produção-consumo-mais produção-mais consumo) possam emergir. Utilizando as linguagens da Literatura, do Cinema, do Teatro e da Filosofia, pretendemos abrir espaços para que idéias, sentimentos, significados se cruzem, se confrontem, se interpelem e se complementem forjando uma abertura para novas possibilidades de compreensão e atuação na vida.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

domingo, 8 de março de 2009

TRAGÉDIA


A tragédia, assim como a comédia, surge do culto a Dionísio. A tragédia deriva-se dos momentos da cerimônia marcados por uma concentração em que se entoavam canções plangentes e se faziam reflexões sérias e tristes sobre as vicissitudes da vida humana. A palavra tragédia vem do grego tragoidía, literalmente “canto do bode”. O termo faz referência ao canto religioso com que se acompanhava o sacrifício de um bode nas festas do deus Dionísio, chamado Baco pelos romanos. Ésquilo e Sófocles e Eurípedes são considerados os maiores autores trágicos e fizeram do século V a.C. o ápice do teatro trágico grego.

As obras trágicas tinham, pelo menos, quatro características essenciais: presença de um fator transcendental (destino, deuses, etc.); unidade de salvação e aniquilamento (o herói, com a intenção de salvar-se acaba sendo responsável pelo seu aniquilamento); clima de tensão permanente e final trágico.

A tragédia teve um papel fundamental na construção de uma ética dos cidadãos gregos. Numa sociedade em que a vontade e a responsabilidade individual não prevaleciam e o sentido do coletivo é que deveria determinar as ações, o teatro trágico era uma forma que os gregos encontraram de regular e controlar as paixões. Esse controle sobre as paixões, no entanto, não é uma preocupação apenas da civilização grega antiga, todas as sociedades, de um modo ou de outro, tentaram manter as paixões sob controle. Seus excessos levam a um estado de desmesura, gerando mal-estar no homem e na cultura.

Aristóteles na “Poética” (obra na qual o filósofo discute e analisa as formas poéticas típicas do mundo grego, como a tragédia e a comédia), afirma que a tragédia, através de dois sentimentos fundamentais – o temor e a compaixão – operava a kátharsis das paixões.

CATÁRSE:
TRATA-SE DE UM ALÍVIO ORIGINADO PELO FATO DE QUE ALGUMA COISA – EMOCIONAL OU FÍSICA SOFREU UMA DESCARGA, OBTEVE UM FLUXO LIVRE, ELIMINANDO UMA TENSÃO.


Essa catarse da tragédia visava produzir no expectador a purificação ou a sublimação dos sentimentos de compaixão e de temor mantendo-os em justo equilíbrio. A compaixão brotava do fato de o herói sofrer imerecidamente, já que suas ações não decorriam de maldades praticadas, mas, de uma fatalidade, como se vê na peça “Édipo Rei”. O temor decorria da semelhança que o herói tinha com o espectador, enquanto homem mortal e sujeito a infortúnios. Mas o infortúnio, como a morte, devia vir de fora, como um estrangeiro e não como algo familiar, por isso é que só os infortúnios de outrem é que se prestavam a uma encenação trágica.

As paixões habitam o homem fazendo dele seu servo. O homem como ser de paixão e desejo, precisa de uma mediação, precisa de meios para atualizar essas paixões com moderação. A encenação trágica servia, então, de mediação para que, através do jogo de identificações alternadas, favorecido pela retórica, o espectador pudesse conhecer e moderar as suas paixões.

domingo, 1 de março de 2009


THEATRON
“LUGAR DE ONDE SE VÊ”


“O teatro é a representação da vida do espírito humano,
ao vivo e em forma artística”.
Stanislavski



Teatro é representação, (re-presentar, tornar presente outra vez) traz a idéia de imitação, de repetição da simulação, ou seja uma situação é simulada e repetida a cada apresentação do espetáculo. E como espetáculo, traz, genericamente, a idéia de algo que vale a pena ser visto.

No teatro, quem assiste à ação imitada e quem a pratica compartilham o mesmo espaço e tempo. O espectador torna-se cúmplice do ator na representação: sabe que se trata de uma imitação, mas reage como se estivesse diante da personagem a praticar a ação imaginada. Além disso, a imaginação, as experiências de vida do espectador, seus sentimentos e opiniões ajudam a compor as cenas apresentadas.

O jogo dramático corresponde a uma fase do desenvolvimento humano. Em todos os povos, em todos os tempos, as crianças passam pela fase do faz-de-conta. Nesta fase desenvolvem-se os jogos de identificação em que a criança assume papéis diversos, ensaiando para a vida. Durante essas “brincadeiras” conflitos afloram naturalmente e são enfrentados sem culpa e sem temores, dando origem a um precioso banco de dados que será consultado mais tarde, quando o indivíduo tiver que tomar decisões complexas.

A capacidade de falar com clareza e fluência, bem como a capacidade de argumentar com lógica e astúcia são treinadas. A expressividade do gesto e da face também é exercitada. Um imenso arsenal lógico, emocional e fisiológico é construído.

No ser humano adulto, esse mecanismo de identificação e simulação, o prazer do jogo interpessoal através do artifício de assumir outros papéis, permanece latente. Em geral não é exercitado. Convém ao adulto médio especializar-se em alguns poucos papéis, vestindo as máscaras sociais convenientes e esperadas. Para o mundo adulto, quanto mais previsível for o indivíduo, mais confiável ele será.

A diferença entre os jogos infantis e o teatro, propriamente dito, é que a criança quando representa o papel de pai ou de mãe em suas brincadeiras não precisa ser vista por ninguém, enquanto o teatro é, essencialmente, o jogo de ver e ser visto. Ator, personagem e espectador são elementos indispensáveis ao teatro. Se um deles não estiver presente, não há teatro.

A palavra teatro refere-se tanto ao lugar onde se realizam os espetáculos quanto à arte específica transmitida por um ou mais atores para o público. Essas duas idéias ligam-se à origem etimológica do termo: Theatron, em grego, que quer dizer “lugar de onde se vê”. Nos lugares onde eram encenadas as peças na Grécia antiga, theatron correspondia à platéia. E, mais primitivamente, era o terreno inclinado (geralmente a encosta de uma colina) onde o público se acomodava para ver a representação.


O TEATRO na grécia antiga

A origem do teatro está relacionada às cerimônias religiosas de culto a Dionísio (Baco para os romanos), deus do vinho e da fertilidade no século VI a.C. Em homenagem a esse deus, os gregos realizavam procissões à época da colheita da uva nas quais os participantes vestiam-se de bodes (uma das representações do deus), bacantes (adoradoras do deus Dionísio) e sátiros (figuras mitológicas metade homem e metade animal) e narravam a história mitológica desse deus.

Durante as procissões entoavam-se cantos e danças em louvor a Dionísio. Esses cantos eram chamados de ditirambos e, com o passar do tempo, as procissões foram ficando mais elaboradas. Surgiram os “diretores do coro” (organizadores das procissões). Em um determinado momento, um dos participantes do coro, (coreuta) passou a destacar-se e liderar o coro, “dialogando” com este, a partir do que passou a chamar-se corifeu. Contudo, a forma narrativa ainda se manteve até que, Téspis, um corifeu transforma o ritual dionisíaco, encarnando o próprio deus Dionísio, mudando assim a narração da terceira para a primeira pessoa, ou seja, passando a representação da forma narrativa para a dramática. Téspis é considerado o primeiro ator da história.


QUANDO SURGIU, O ATOR ERA CHAMADO HIPOKRITES (RESPONDEDOR), QUE DEU ORIGEM À PALAVRA HIPÓCRITA (AQUELE QUE FINGE SER O QUE NÃO É).

O teatro grego era um espetáculo composto de música, canto, dança e diálogo. A princípio só um ator dialogava com o coro e com o corifeu. O poeta dramático Ésquilo (525-456 a.C.) foi o primeiro a utilizar dois atores em cena, o protagonista (literalmente “primeiro competidor”) e o deuteragonista (segundo competidor). Sófocles (496-406 a.C.) foi quem criou um terceiro ator, o tritagonista. Com a utilização de máscaras, tais atores faziam todos os personagens da peça.

Na Grécia antiga, eram realizados festivais onde havia uma rigorosa seleção dos poetas dramáticos participantes. No primeiro dia, cada poeta, acompanhado do coro e dos atores (sem máscaras), subia ao palco e anunciava os assuntos das suas peças. O concurso durava três dias e classificavam-se três tragédias e uma peça satírica. Chamava-se esse conjunto tetralogia. As tragédias eram encenadas pela manhã e a comédia á tarde.

Para os gregos, o teatro era um acontecimento cívico e religioso tão importante que era subsidiado (recebia recursos financeiros) pelo estado e pelos cidadãos mais ricos. Os cidadãos mais pobres recebiam seus ingressos de graça e até as mulheres podiam assistir aos espetáculos – em uma sociedade que proibia a presença de mulheres nas Olimpíadas, por exemplo. Nada funcionava durante a semana do festival e, no fim, um júri premiava os melhores autores e atores.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

AULAS DE TEATRO PARA ADULTOS



As aulas de Teatro para o público adulto iniciaram-se neste sábado dia 07 de fevereiro, entretanto, quem ficou de fora ainda pode se inscrever até o dia do próximo encontro 21/02.

Confira o plano de curso e entre em contato conosco nos telefones: 3627-3880 ou 9682-64-13 Ednéia e 3625-4835 ou 9745-4248 Giselle.


CURSO DE TEATRO PARA ADULTOS – MÓDULO 1
PROFESSORAS: Ednéia Angélica e Giselle Moreira
DURAÇÃO: 40 horas (20 encontros de 2 horas)
PÚBLICO ALVO: Pessoas interessadas em fazer teatro


Apresentação

A proposta do curso é promover uma iniciação ao teatro, tanto do ponto de vista prático quanto teórico. Assim, os participantes entrarão em contato com algumas técnicas, jogos teatrais e terão a oportunidade de ampliar seus conhecimentos sobre teatro tomando como referência autores como Ricardo Japiassu, Augusto Boal, Viola Spolin e Bertold Brecht.


Metodologia

A metodologia do curso enfatiza a tríade Conhecimento-fruição e desenvolvimento, ou seja, os participantes terão prévio contato com a teoria do teatro, assistirão juntos a um espetáculo e terão oportunidade de discutir sobre ele, experimentarão diversas técnicas e participarão da criação de um roteiro coletivo. Esse roteiro será trabalhado para ser encenado no último encontro do curso.


Objetivos

• Contribuir para o desenvolvimento pessoal dos participantes através de atividades que dialoguem com as suas experiências de vida numa perspectiva crítica e reflexiva;
• Despertar a sensibilidade e desenvolver conhecimentos estéticos e competências artísticas;
• Proporcionar o desbloqueio do corpo e o conhecimento das características corporais de cada um;
• Promoção da vivência do trabalho em equipe.


Atividades

• Exercícios físicos e vocais;
• Imporovisações;
• Jogos teatrais;
• Escrita de roteiro coletivo;
• Montagem de um espetáculo;
• Apresentação de espetáculo.

sábado, 31 de janeiro de 2009

PIPAS



Final de janeiro. Eu observo, numa rua perto da minha casa, três meninos fazendo pipas. Saem de casa com pedaços de bambu, plásticos, colas, linhas e uma faca de corte. Sentam-se na calçada e começam a trabalhar. Compartilham o material e a faca afiada passa de mão em mão: corta o plástico, lixa o bambu, com maestria, sem causar acidentes. Experimentam a taquara no plástico. Ainda não, ainda está muito grossa. É preciso lixar até que fique leve e flexível, porém, um lixou demais e o bambu perdeu a força. É preciso cortar outro e começar o trabalho novamente. Sem problemas...

Depois de prontas as pipas, é preciso esperar pelo vento. Os meninos correm de um lado para o outro, gritam e xingam até que, finalmente, o vento resolve soprar e o brinquedo de plástico eleva-se no ar. Nessa hora, o tempo pára. O corpo treme de emoção. Toda a dureza da vida converte-se em beleza e sonho e sobe para o céu nebuloso. Os meninos sonham acordados, correndo, pulando e rindo.

Logo será fevereiro. Esses meninos estarão na escola. Depois da euforia provocada pelos cadernos novos e pelo reencontro com os colegas, lá estarão os nossos pequenos fazedores de pipas, ouvindo, copiando e olhando para o relógio o tempo todo com vontade de sair dali. Mas, por que não se entregam à busca de conhecimento com o mesmo entusiasmo, com a mesma persistência com que se entretinham fazendo e soltando pipas? Ora, dirão, fazer pipa é muito mais gostoso do que estudar. Fazer pipa é divertimento, estudar é obrigação.

Ainda crianças, aprendemos a separar trabalho e prazer. Aprendemos que as coisas chatas são necessárias e que as coisas necessárias inevitavelmente têm que ser chatas. A escola é chata, mas precisamos dela para arranjar emprego. O trabalho é chato, mas precisamos dele para ganhar dinheiro para comer, beber, vestir e nos divertir depois. Contudo, quem dirá que fazer pipa também não dá trabalho? Pergunte a qualquer garoto! O problema é que o trabalho, na escola e na maioria dos “empregos”, não comporta a dimensão da criação. Na escola nós repetimos as letras, depois as palavras, depois as frases, depois o texto. No trabalho, repetimos os procedimentos, as maneiras de fazer, mas não vibramos ao ver funcionar aquilo que fizemos, porque não foi criação nossa.

Na era da industrialização e da globalização, a criação está a cargo de poucos e a grande maioria da população apenas repete, repete, repete e repete. Dessa forma, o trabalho em si não encerra satisfação alguma. A compensação está fora dele, nas coisas que podemos comprar com o dinheiro que ganhamos. Trabalhamos para ter uma TV de 42 polegadas, um carro zero, uma roupa da moda, etc. Tudo isso traz algum tipo de satisfação, é verdade, mas a satisfação do consumo jamais poderá ser comparada à emoção que eu vi nos rostos dos meninos que faziam e soltavam pipas.

sábado, 17 de janeiro de 2009

REGISTRO DO MOVIMENTO ALGARAVIA

EDITAL DE CONVOCAÇÃO

Convidamos todos os interessados em participar da Assembléia de Fundação de uma Entidade Cultural, na condição de sócio fundador a comparecerem à rua Joaquim Ambrósio de Oliveira, 210 – Bairro Santa Martinha, Ribeirão das Neves – MG, no dia 24de Janeiro de 2009 às 19h30. Nessa ocasião será discutido e votado o projeto do Estatuto Social e eleitos os membros do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e da Diretoria.

Ribeirão das Neves 12 de Janeiro de 2009


Ednéia Angélica e Giselle Moreira
Comissão Organizadora